Inclusão e aprendizagem: Centro de Línguas da UFG oferece curso de libras gratuito para a comunidade

Por Eduardo de Almeida, Letícia de Souza, Lívia Andrade, Maria Luiza Coelho e Sofia Carvalho

Iniciativa do Centro de Línguas da UFG disponibiliza curso de libras gratuito para a comunidade, a partir de setembro. A proposta objetiva introduzir a Língua Brasileira de Sinais e promover a inclusão da comunidade surda no contexto regional.

Libras no Brasil

No Brasil, a origem da Libras (Língua Brasileira de Sinais) começa em 1855, quando, a pedido de Dom Pedro Ⅱ, o professor francês Ernest Huet veio para o Brasil. Sua chegada trouxe a Língua de Sinais Francesa (LSF), que estabeleceu bases para a Língua Brasileira de Sinais. Anos depois, Huet também atuaria no início da educação de surdos no país, com a criação do Instituto de Surdos-Mudos, atual Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES).

Sob a influência da LSF, dos “sinais metódicos”, criados pelo abade francês Charles Michel de l'Épée, e dos sinais já utilizados no Brasil, a Libras foi consolidada e disseminada, até uma determinação do INES, em que o uso da oralização seria a única forma de educação para surdos. Apesar de marginalizá-la, a decisão não impediu a utilização da língua pela comunidade surda.

Nas décadas seguintes, ocorreram marcos importantes ligados ao reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais como meio legal de comunicação e expressão com a Lei n º 10.436, de 2002, e a ampliação dos direitos da comunidade surda com o Decreto nº 5.626, de 2005.

Libras na educação

Por meio desse decreto, a Libras se tornou obrigatória na formação de professores para a educação básica e em fonoaudiologia, tornando-se também um curso de graduação em diversas universidades brasileiras. Dentre elas, está a Universidade Federal de Goiás (UFG), onde o curso de Letras Libras completou 17 anos, em 2026. Na instituição, além de uma formação acadêmica, a Libras é oferecida como um curso de idiomas pelo Centro de Línguas (CL), órgão complementar da Faculdade de Letras (FL) da UFG que atua desde 1994 com o ensino de idiomas.

Libras no Centro de Línguas

Dentre os cursos do Centro de Línguas, estão: o inglês, o alemão, o francês, o italiano e o espanhol. A partir de setembro deste ano, o curso de libras voltou a ser oferecido pela instituição, inicialmente, com o objetivo de promover um primeiro contato com a língua. Além de ser aberto à comunidade externa, o curso, diferente dos demais, é 100% gratuito, e, nesse semestre, está disponível em dois períodos, vespertino e noturno. Ambos presenciais, com carga horária de 30 horas e com aulas voltadas a noções básicas e ao ensino de sinais para o uso cotidiano.

Aula do curso de libras do Centro de Línguas

“Libras para toda a sociedade”

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE (2019), apontam 2,3 milhões de pessoas com deficiência auditiva no Brasil, o que representa 1,1% da população com 2 anos de idade ou mais. Vale esclarecer que todas as pessoas surdas possuem algum tipo de deficiência auditiva e que a surdez é distinguida por graus, sendo leve, moderada, severa ou profunda. A diferença aparece também na comunicação, visto que nem todas as pessoas surdas utilizam a língua de sinais, algumas delas utilizam a fala. Fato relevante quando se pensa em equívocos como a expressão surdos-mudos, por exemplo.

Ao falar sobre a iniciativa, Neuma Chaveiro, professora do curso de Letras Libras da Faculdade de Letras da UFG, afirma que a proposta é “atingir o maior número de pessoas, porque a intenção é a inclusão do surdo na sociedade”. A característica de ser gratuito reforça essa ideia, porque permite que qualquer pessoa participe das aulas e saiba “pelo menos o básico”. Para a professora, o impacto do curso está em diminuir as barreiras impostas às pessoas surdas, pois, segundo ela, no Brasil, o surdo é um brasileiro que acaba sendo um estrengeiro.

Neuma diz ainda que falar sua própria língua é um conforto, “um descanso para a mente”, algo essencial para o bem-estar de qualquer pessoa, o que muitas vezes não acontece com pessoas surdas. Por esse motivo, é tão importante que ações voltadas para inclusão e acessibilidade de pessoas surdas se tornem cada vez mais comuns — “poderíamos dizer, assim: libras para toda a sociedade. Quanto mais pessoas se comunicarem com os surdos, melhor”.

Curiosidades

• Além de incorreta, a expressão “surdos-mudos” não deve ser utilizada para se referir a pessoas surdas. A perda auditiva não tem relação com a mudez, visto que a maioria das pessoas surdas possuem o aparelho fonador intacto, o que lhes permite emitir sons, por exemplo. Quanto a isso, por meio da oralização, pessoas surdas podem aprender a falar, o que não é uma obrigatoriedade e muito menos algo que as impeça de utilizar a Língua Brasileira de Sinais.
• Sabendo disso, vale ressaltar que países diferentes possuem línguas de sinais diferentes. Atualmente, existem de 138 a 300 línguas de sinais em todo o mundo. E, ao contrário do que muitos pensam, a libras não é uma língua universal, sendo reconhecida apenas no território brasileiro. Ou seja, para se comunicar com as pessoas surdas de outros países, é necessário aprender a língua adequada.

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